terça-feira, dezembro 2

AD POPULUM (APELO AO PÚBLICO, AO POVO)

Você já identificou pessoas que, ao terem seus argumentos primários vencidos, apelam para a vontade das multidões, querendo afirmar com isso que, seu argumento é válido em virtude de todos pensarem da mesma forma?
Argumentar dessa forma é cometer um erro crasso, é invalidar o argumento através da manipulação do pensamento sugestionado pela “massa”, que por sinal, adorarão ver suas ideologias apoiadas pelo argumentador que delas tomou proveito.
A falácia ocorre ao dar ao povo a onisciência divina acerca do que, verdadeiramente, é correto. O argumento pode até ser verdadeiro, mas não porque um conglomerado de pessoas o defende, mas porque suas premissas são válidas e sustentáveis.
Posso defender o argumento de que Jesus é o Cristo, o messias, o salvador e o redentor de nossas vidas através da premissa cambeta de que creio nisso porque todos na Igreja dizem que ele é o Cristo, ou ainda, posso afirmar (argumentar) através de premissas sustentáveis que Ele foi o único que cumpriu todas as profecias que se referiam a primeira vinda do messias, deixando provas irrefutáveis e inquestionáveis que Ele era aquele a quem as escrituras se referiam.
Posso fundamentar meus argumentos em provas e fatos completamente questionáveis, ou posso, baseando-me na Bíblia, fundamentá-los na fidelidade das escrituras e sustentar todas as afirmações, como Paulo foi capaz de sustentar ao anunciar o evangelho aos crentes de Beréia.
Lembro que uma das ações que o PARAKLETO (do consolador, o próprio Espírito Santo) é tornar a mensagem tão clara que instigue o homem a aprofundar-se mais e mais em conhecer Deus. Portanto, não há necessidade de usarmos argumentos meramente humanos, como o fato de apelarmos à decisão da “massa”, AD POPULUM.
Se o Espírito Santo tem liberdade em você, se tens comunhão com Ele, se o buscas e o procuras, certamente, o acharás e Ele “... convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”, (Jo 16.8), usando sua vida como canal para atingir o objetivo.
A voz do povo não é a voz de Deus! Qualquer leitor, facilmente, comprova esta frase ao ler a Bíblia. Seja a eleição de Saul como Rei por vontade do povo, seja Saul exercendo função sacerdotal que não lhe cabia e o fazendo por causa do povo, ou ainda, a crucificação de Jesus por ordem do povo. A voz do povo nunca foi a voz de Deus.
Contudo, em nossos dias, a voz do povo adquiriu um peso de proporções inimagináveis, a ponto de a Bíblia ser desconsiderada quando há concordância de diversos líderes cristãos sobre determinado assunto, como ocorre com as terapias de auto-ajuda.
Há uma grande tendência de que a falácia AD POPULUM, apelo a multidão, seja utilizada para pautar a conduta da última igreja sob a face da terra, onde a voz de Deus sempre será questionada, mas a voz da multidão far-se-á cheia de autoridade pautando a conduta da igreja, como temos visto acontecer com o movimento denominado igreja emergente.
Por negligenciar a voz de Deus, a voz da multidão influenciará o corpo de Cristo, conforme a bíblia atesta indicando que uma igreja cheia de si, apostatará da fé em Cristo, por obedecer “... a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,... Fiel é esta palavra e digna de inteira aceitação” (1ª Tm 4.1-9).
O estudo da falácia nos auxilia a entender a falha argumentativa e rebatê-la em sua essência, agindo, exatamente, naquilo que é a sustentação do argumento, neste caso, a falsa premissa de que se é aprovada pela multidão só pode ser de Deus...
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2 comentários:

Allen Porto disse...

grande pensador, essa escultura fica lá na praça de alimentação da universidade onde estudo.

Eu devia colocar um link logo abaixo dela pro teu blog, não?

Aliás, tô curtindo muito os posts sobre argumentação. Logo logo vou fazer uma referência aqui no blog.

abraço
SDG

O PENSADOR disse...

rs, ..., sempre é bem vindo, ...
sobre os posts, só tenho a agradecer, pois a idéia surgiu visitanto seu blog...

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