domingo, outubro 15

Esmirna e seu pastor Policarpo...

A cidade de Esmirna, na antigüidade, foi por muitos anos uma cidade muito rica, antes de ser destruída totalmente no século VI a.C. Mais tarde, por volta do ano 300 a.C. foi reconstruída por Alexandre, o grande. Daí para frente, tornou-se uma das cidades mais importantes e prósperas da Ásia Menor. Ali foi erigido um templo à deusa Roma, uma vez que a cidade era aliada e fiel a Roma. Era também o porto natural de antiga rota comercial que atravessava o vale do Hermo, e seu interior era muito fértil. Atualmente a cidade chama-se Izmir, e é a maior cidade da Turquia Asiática. Esmirna era o local de uma das sete igrejas mencionadas na carta do apocalipse.
É muito importante analisarmos os escritos direcionados a Esmirna, por exatos, três motivos:
1) Foi a mensagem de Cristo a uma Igreja constituída assim como a nossa, alertando-a sobre o caminho que deveria seguir;
2) Sua mensagem não ficou restrita a igreja local de Esmirna. Ecoou através do tempo e espaço atingindo as igrejas estabelecidas entre o 2º e 3º século.
3) Sua mensagem não se apagou durante os séculos, pois conseguimos identificar em nossos dias, situações que nos arremetem a lembrarmos de Esmirna. Seus problemas, dificuldades e a mensagem de Cristo a igreja.
Alguns poderiam dizer, e daí? Sua mensagem já se cumpriu por duas vezes, não há mais necessidade de atentarmos para o que está escrito! Infeliz engano! Aplica-se a Esmirna o mesmo que a Éfeso...
A Igreja de Éfeso teve que ouvir duras verdades sobre sua conduta diante de Cristo. Ela e todas as Igrejas compreendidas entre o 1º e o 2º século, no cumprimento escatológico da palavra. Isto não quer dizer que a Igreja de hoje não deve temer abandonar o primeiro amor. Somos tão passíveis de cair neste erro quanto os cristãos do primeiro século. Ou será que em nossos dias não há cristãos abandonando o primeiro amor? Vai ver, isso é coisa de 1º século!
É Fácil verificar! Será que nosso amor está nos conduzindo a uma estética cristã? Estamos mais preocupados com a maneira de vestir-se, falar e cortar o cabelo do que com o amor pelo próximo? Seja lá quem for o próximo. “Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade”. Ao abandonar o primeiro amor, nos fechamos às pessoas para explorar um falso senso de santidade. Então cuidemos de analisar Éfeso e Esmirna também.

A palavra Esmirna quer dizer mirra. Seu significado está intimamente ligado a Igreja. Vale lembrar que a mirra foi um dos três presentes ofertados ao menino Deus. A mirra é um arbusto que cresce nas regiões desérticas, especialmente na África (nativa da Somália e partes orientais da Etiópia) e no Médio Oriente. É também, o nome dado à resina de coloração marrom-avermelhada obtida da seiva seca dessa árvore (Commiphora myrrha). A palavra origina-se do hebraico maror ou murr, que significa "amargo". Para extrair do arbusto a substância usada na produção de perfumes e embalsamento de corpos, seus galhos e tronco são intensamente esmagados reduzindo-os a pequenos bagaços, só assim era possível extrair o aroma tão desejado por seus compradores.
A carta a Esmirna é a carta a Igreja perseguida. Esmirna é considerada pelos historiadores como o local do primeiro martírio cristão existente. A história da Igreja narrada por Eusébio em sua obra denominada "História Eclesiástica", nos conta que foi em Esmirna que Policarpo, um discípulo do Apóstolo João, e principal pastor da Igreja, foi martirizado no ano de 159 d.C. Os relatos indicam que o procônsul romano, Antonino Pius, e as autoridades civis tentaram persuadi-lo a abandonar sua fé e entregar seu rebanho, quando já avançado em idade e preso pelos seus inquiridores, respondeu com autoridade: ‘Eu tenho servido a Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou?”. A atitude de Policarpo levou-o a ser queimado vivo em praça pública.
A carta parece ser um prelúdio do que a Igreja iria passar. Um aviso do Senhor ao servo. Assim como a mirra produzia sua fragrância através do esmagamento, esta Igreja foi completamente esmagada por todos os lados. A própria mensagem de Cristo atesta isso: “Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico)”. A perseguição tornava-se intensa, os bens da Igreja e de seus membros eram confiscados um a um, ao passo que de acordo com os olhos humanos estavam pobres, mas do ponto de vista do Senhor eram rico. Os cristãos de Esmirna foram literalmente esmagados, tornando-se um cheiro de perfume suave para Deus. Esta Igreja não se apegou ao dinheiro, as riquezas, a luxúria, nem ao menos se entregou ao materialismo tão forte em nossa época.
Quando olhamos para Esmirna, tendemos a não achar falhas, críticas ou qualquer apelo à atenção, mas ao contrário do que se pensa, esta igreja também foi chamada à atenção: “Não temas as coisas que tens de sofrer”. O que me faz lembra de nossa situação neste mundo não cristão. Tememos ou não, sofrer? Sejamos sinceros ! E veremos o quanto à carta a Esmirna está atualizada para os nossos dias.
A carta revela ainda duas mensagens muito importantes que refletem a preocupação de Cristo com sua Igreja. “Tereis tribulação de dez dias”. Aqui o número dez costuma ganhar o significado de pleno e completo. De modo que, a Igreja passou por uma tribulação até as ultimas conseqüências, tendo seu pastor, Policarpo, queimado vivo em praça pública. O que automaticamente para as autoridades romanas seria o suficiente para desmantelar o cristianismo em Esmirna.
Mas pela graça absoluta de Deus, o que foi feito para destruir a Igreja, deu a ela força e vigor pelas palavras de fé, fidelidade, coragem, determinação e confiança no seu Salvador, expressas por Policarpo.
A mensagem chegou a todas as igrejas velozmente, de modo que o ferimento causado a Igreja de Esmirna somente fortaleceu todas as Igrejas, através da fé demonstrada por Policarpo. Subindo como aroma suave a Deus e as demais Igrejas, fortalecendo-as. Esmirna foi esmagada e seu aroma deu novo ânimo a todos os cristãos. Policarpo não renunciou, não voltou atrás, não teve por preciosa a própria vida.
Muitos devem ter pensado - Tudo o que ele disse a respeito de Cristo tem que ser verdadeiro a ponto de sacrificar a própria vida pela promessa de Deus. Todos foram fortalecidos em Cristo e encorajadas pelo testemunho de Policarpo.

Esta foi à palavra de Deus a Policarpo e a igreja pastoreada por ele, “Sê fiel até a Morte...”.
Ao morrer Policarpo cumpriu a vontade de Cristo, foi fiel até a morte e alcançou a promessa da coroa da vida...
E quanto a nossa geração, se for preciso, ..., e quando for preciso, estaremos dispostos a levantar a bandeira do Cristianismo e sermos fiéis até a morte?

13 comentários:

Anônimo disse...

Como a igreja do 1º e 2º seculo foram primordias para não se perder a essenvcia do evanglho!!

O PENSADOR disse...

Neste ponto são exemplos a serem seguidos...

Pastor Gilberto disse...

Parabéns,esse comentário tem um òtimo conteudo muita coerência,quem dera as demais postagem da net fosse assim ao invés do lixo espiritual que vemos ...deus abençõe vç e te capacite a cada dia mais -Pr Gilberto Rezende

O PENSADOR disse...

Obrigado, Pr Gilberto! Se vc tiver um blog pode registrar nos comentários, ..., gosto de acompanhar a leitura de textos de outros blogs também.... Felicidades, ..., volte quando quiser... Paz...

Robson Batista disse...

Parabéns, texto muito bom, inspirado e muito edificante, a Igreja contemporânea devia seguir mais o exemplo da Igreja Primitiva em todos os seus aspectos, com certeza teríamos cristãos muito mais firmados na verdade do Evangelho.
Venho acompanhando seu blog e tenho gostado muito, parabéns, Deus te abençoe.

Robson Batista disse...

estou iniciando um blog, se puder de uma passada

o-cristao.blogspot.com

O PENSADOR disse...

Obrigado Robson, ..., já passei por lá!
A Igreja primitiva tem inúmeros pontos importantes nos quais poderíamos pautar condutas e balizar procedimentos, no entanto, nem todos seus procedimentos são louváveis. Basta lembrar que o berço do cristianismo, Jerusalém, não era o padrão a ser seguido em seu próprio século. Não é nomeada por Paulo como exemplo, aliás, é tida como a mais carente e necessitada de todas as demais Igrejas, necessitando de apoio constante para não perecer de vez. É óbvio que o texto desta postagem não tem como foco jerusalém, mas também é importante salientar que nem tudo na Igreja Primitiva era um mar de rosas.
Quanto a Policarpo, ..., talvez ninguém nunca consiga colocar em palavras a profundidade de sua declaração, perante os corações cansados do sofrimento e abatidos pela perseguição implacável de Roma. Só nos resta buscar mensurar o imensurável a fim de buscar, pelo menos, ínfimo conhecimento da ação de um homem, guiado pela mão de Deus, na história da humanidade.


Obrigado pelos comentários Robson! Fica na Paz...

Robson Batista disse...

Com certeza nunca tudo será mar de rosas, nas cartas de Paulo existem várias exortações quanto a falhas e erros nas diversas igrejas que ele acompanhava, creio que as dificuldades continuarão até a volta de Cristo, até porque própria bíblia diz que "neste mundo teremos aflições", no entanto, na Igreja Primitiva, o ponto central do Evangelho era a Salvação e a divulgação do Reino de Deus. Em nosso tempo pós-moderno, o bem-estar imediato do indivíduo tem se tornado o mais importante no mundo, e esta prática tem invadido as igrejas, muitas delas tem aos poucos se desviado do foco principal do Evangelho para se preocupar mais com a satisfação pessoal e mundana dos seres humanos, dando muito mais valor a bençãos materiais do que a Salvação da alma. Mas conforto-me na Palavra de Deus, que tudo há de se cumprir, que o amor de muitos se esfriará, muitos se apostatarão de fé, mas o amor e o poder de Deus prevalecerá nos corações daqueles que realmente o amam...

Deus abençoe!

Pr João Kennedy disse...

Ola caro amigo e irmão, mesmo sem o conhecer pesoalmente mas sou um avído leitor de suas postagens , quanto ao relato da igreja de esmirna e de eféso e da convicção do amado policarpo é indiscritivel em relato o que é falar desta forma que a morte não nos trará medo e angustia. estive estes dias diante de fatos que já durante tres anos consecutivos me acompanham e por (cristocidencia) rsrsrsr sempre no mes de fevereiro me deparo com a necessidade de declarar as palavras do apostolo Paulo e do amado Policarpo (Filipenses 1:21) - Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.

nos momentos onde no primeiro ano tive sete enfartes e no segundo ano um enfarte e agora mais um vejo como alegria incontida a certeza que só partiremos para uma estada com o SENHOR quando for verdadeiramente da vontade de DEUS , que este blog seja sempre abençoado nas suas colocações em CRISTO JESUS!!!

O PENSADOR disse...

Obrigado Pr João Kennedy,

Fico feliz por acompanhar as postagens deste singelo blog.
També concordo com você, ..., Policarpo demonstra uma convicção ímpar que faz até os mais duvidosos crerem! Cada Igreja, pelo menos, precisa de um exemplo assim para nortear sua fé e manter-nos a todos nós no prumo.

No mais, espero que já esteja restabelecido e com boa saúde, desejando que as "cristocidências" do mês de fevereiro tenham teor diferente das atuais, estando, nós, em tudo, fortalecidos nEle.

Shalom!

Tuxinha disse...

bom seria que todos os crentes que se dizem crentes seguisem o exemplo de policarpio porque qundo acomtecer a verdadeira perseguição da igreja que nada disto que estamos vendo ainda não esta relacionado com aquilo que vem comtra a igreja do senhor temos que estar preparado mitos crentes vão renunciar a fé e a crença no senhor jesus e ai voçe que vai ler este comentário estais preparado se não estiver comsagre a sua vida e repare o seu altar amém que deus nos ajude

ρяєgα∂σяα мαηυєłα sσυzα disse...

Policarpo sem dúvida nos deixou um grande exemplo de fé, coragem, liderança e fidelidade ao Senhor. Eu também posso repetir as palavras de Policarpo, ao afirma que sirvo ao Senhor desde muito nova e Ele só me tem feito o bem.
Parabéns pelo excelente artigo.
Se desejar faça-me uma visita.
www.vozdessageracao.blogspot.com

Pedro disse...

E´interressante notarmos que Policarpo, trazia consigo o ensinamento do apostolo João portanto a verdadeira doutrina, os seus escritos nos trazem como as primeiras comunidades celebravam os encontros no domingo, hoje vejo o distanciamento das igrejas evangelicas destra doutrina.

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