segunda-feira, outubro 9

Se é para cantar, então com entendimento cantemos!

A Igreja protestante, ao longo de sua história, tem utilizado o louvor como ponto de ligação entre o homem e Deus, dando-lhe mais uma forma de adorar aquele que o criou. Há em nossa época uma diversidade de letras, louvores, hinos e canções, um verdadeiro comércio. Alguns acreditam que esta diversidade é característica de nossos dias, mas se observarmos a história, veremos que Cristãos autênticos já conviviam com estes problemas em seu tempo. Por exemplo Fanny Crosby(1820-1915), cega desde a infância, ficou conhecida como uma extraordinária compositora de canções, muitas, ainda cantadas e escrituradas no cantor cristão, hinário batista. Funny possuía um ímpeto criativo para compor canções, mas também as compunha pelo fato de ela ter um contrato de trabalho com uma editora, a Biglow & Co., que a obrigava a entregar três composições novas a cada semana. Ela chegou a compor sete canções em apenas um dia. Como de hábito, não iniciava seu trabalho sem antes dedicar horas à oração. Curiosamente, Fanny não escrevia as letras de seus hinos, por nunca ter dominado o método Braille. Dona de uma memória extraordinária, memorizava-as facilmente. Quando morreu, aos 94 anos, amigos e parentes escreveram na lápide de sua sepultura: Ela fez o máximo que pôde. Sem dúvida, foi uma heroína da fé. De modo que o comércio das letras e canções já existia de longa data. O que deixou de existir de lá para cá foi à preocupação com a letra. A cada ano as pessoas preocupavam-se mais com o ritmo e a melodia e menos com o teor da canção. (Trecho de Aristarco Coelho)


As canções ganharam um leque de possibilidades. Umas davam graças a Deus, outras falavam sobre fé, algumas sobre perseverança e atualmente chegamos a ponto de cantarmos um Cristo extremamente erotizado, ao usar termos como “acariciar”, “deixar-me envolver em seus braços” entre outras formas de expressão menos condizentes com o criador de todas as coisas. Existem letras que são verdadeiras chamadas de atenção ao criador, como se ele pudesse esquecer de suas promessas. Alguns, não muito contentes, chegam a ponto de ordenar benção e milagres. O que fazer? O que ouvir? O que cantar? O que dizer? Ora, a cada dia parece mais difícil cantarmos letras extremamente fieis a palavra de Deus. As letras e louvores mal entram nas Igrejas, já estão saindo de “moda”. Em falar em moda, a ultima coisa que saiu de moda, foram os louvores a respeito do retorno de Cristo. Dificilmente verificamos alguma canção atual que fale a respeito do seu retorno. Até parece que a Igreja cansou de esperar, desistiu e resolveu fortalecer-se a si mesma. Até nas canções mais simples encontramos pequeninos desacertos, como por exemplo, aquela que canta “obrigado Pai, ..., agradeço a ti, ..., que morreu na Cruz do calvário, ..., por amor a mim”. Basta lembrarmos que foi o filho quem morreu e não o pai, e veremos como é fácil dedicarmo-nos a melodiar as músicas e esquecer do teor cristão.

É importante ressaltar que o louvor da igreja é o reflexo de sua teologia, quer aceitemos esta verdade ou não.
Parece que no momento do louvor, a maioria de nós desliga a chave da compreensão e por conseqüência a da reflexão... deixando-nos conduzir pela melodia agradável. De cara, fazemos a analogia, se a melodia é agradável, é lógico que é uma benção! Alguns para fugir da intensa enxurrada de letras fora de contexto, tornam suas canções tão profundas que um leigo não percebe o que está cantando, e para falar a verdade, não precisa ser muito leigo não, isto também ocorre com aqueles que se julgam cultos.

A música “Toque no Altar” do Ministério Apascentar de Nova Iguaçu é uma dessas canções que possui uma profundidade que precisa ser explorada e entendida, contudo, nem todas as letras deste grupo são livres de teor ofendivo a palavra de
Deus. Mas quanto a esta, em particular, estudemos a sua letra então!
Ora, se ela foi feita para ser cantada então cantemos, mas com entendimento! A Letra trás teologia pura em suas linhas. O sacrifício, o fogo, a cruz, o altar, o incenso, o manto e as vestes.
Sobre a arca. Não há pastor que já não tenha utilizado a figura da arca em suas pregações. Ela simbolizava a própria presença de Deus, sua fidelidade e seu compromisso, aonde a arca estava, ali se encontrava Deus. Ao examinar as escrituras, verificamos que a presença de Deus, ou seja, a glória de Deus pairava sobre a arca, era presente sobre ela. Hoje, continuamos a almejar a presença de Deus em nossas vidas. Desejamos ter plenitude do Espírito para que a glória de Deus ofusque nossos erros, falhas e pecados, e dessa forma, sermos luz para os de fora.
Sobre o fogo. Este, está ligado ao fogo consumidor que Deus enviava sobre os holocaustos, os quais eram consumidos como prova de que Deus havia aceitado o sacrifício. Hoje não se queimam mais animais como oferta ao Senhor, pois Jesus Cristo, ofereceu-se uma única vez para expiação de todos os nossos pecados. A dívida foi paga. Fomos comprados por alto preço. Não somos donos de si próprios e para falar a verdade, nunca fomos. Ou jazemos no maligno, ou em regozijo com o Salvador. Dessa forma, não mais escravos do pecado para a perdição, mas servos da justiça para a santificação, oferecemos nossos membros e nossa própria vontade como sacrifício agradável a Deus. No Antigo Testamento, temos o fogo purificando a oferta entregue a Deus. No Novo Testamento, temos o Espírito Santo em atuação conjunta conosco, nos purificando e levando-nos a uma vida de santidade ao Senhor.

Sobre o incenso. Este era queimado num altar feito especificamente para isso. O incenso nunca era queimado para si mesmo, mas para Deus. No dia da expiação, o sacerdote queimava o incenso dentro do lugar santo. O sacerdote entrava no santíssimo lugar e apresentava-se ao seu Senhor, intercedendo pelo povo. Os povos pagãos também usavam incenso para agradar os seus deuses.
A Igreja primitiva manteve-se afastada do uso do incenso por dois motivos: por causa dos pagãos e por causa das palavras de Cristo, quando disse que a presença de Deus não se limitava mais ao templo. O incenso foi substituído pela oração, nas palavras do salmista, “Suba à tua presença a minha oração, como incenso...” e aroma suave.
Para os judeus, a atitude de rasgar as vestes demonstrava profunda indignação contra qualquer ato abominável que afrontasse ou maculasse a santidade divina.
Assim como o jejum muitas vezes não agradava a Deus, por ser feito como mero formalismo, aqui, essa prática também não tocava o coração do Senhor, pois não refletia a verdadeira intenção do coração do povo. Havia se tornado mero formalismo, servindo apenas para impressionar os homens com sua falsa aparência espiritual. Deus nunca nos pediu exteriorização que não fosse reflexo do que ocorrido no interior do homem. Rasgar as vestes e prantear com o passar do tempo, virou teatro, mímica litúrgica. Então, vem a Palavra de Deus exortando: "Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus..."(Joel 2:13). De modo que a mudança no Homem deve começar de dentro para fora, interior para exterior, do coração para a expressão.
Intencionalmente deixo para tecer comentários sobre o altar por último. Afinal de contas, porque quem deseja um favor do Rei, toca na ponta do Altar?
O altar sempre foi um lugar sagrado. Ocorria que quando alguém era acusado de um crime grave, e tornava-se réu de morte, este, se tivesse oportunidade, agarrava-se na ponta do altar para suplicar por misericórdia.
A bíblia relata pelo menos dois exemplos de pessoas que se agarraram às pontas do altar para pedir o perdão do rei: Adonias, que obteve o perdão de Salomão, 1Reis 1:50. E Joabe que não conseguiu o perdão real, 1Reis 2:28.
Então, vejamos: A bíblia é bem clara ao afirmar que “Todos pecaram...”! E para pecadores sem salvador, não há salvação! Parece coisa óbvia, estão mortos! sem vida! cortados da figueira verdadeira! lançados ao solo! Sem vida!
Imagine a cena, no Antigo Testamento, um pecador toma ciência de que é réu de morte, mas também se lembra que há uma única maneira de ser salvo, o altar. Este, então, corre velozmente e agarra-se na ponta do altar, conforme a letra afirma, contudo sua barganha não é um simples favor, é um clamor ensurdecedor por misericórdia divida sobre sua vida. Ele afirma veementemente sua culpa, declara-se réu de morte, “culpado até os ossos”, e implora piedade, clemência e misericórdia”.
Tocar na ponta do altar, é sinônimo de rendição e petição. Não é simples submissão. É entregar-se inteiramente nas mãos do Rei sem reservas.
No altar nossa petição é analisada aos olhos do Rei, daquele que justifica a todos quanto O aceitam como seu Senhor, Rei, Sacerdote e Salvador, e se for de Sua vontade, ele terá misericórdia, pois ele disse: “terei misericórdia de quem eu aprouver ter misericórdia, e compadecer-me-ei de quem eu aprouver ter compaixão”. Tudo isso envolve uma petição honesta, pois o Senhor enxerga o que não enxergamos, e vê o que homem algum pode enxergar, a intenção do coração.
O Altar nos remete a Cruz de Cristo, ao sacrifício pago pelos nossos pecados. A troca voluntária de Cristo, morrer nossa morte para que vivamos Sua vida. Ora! Se cantarmos esta canção, então com entendimento cantemos!

5 comentários:

João de Séllos disse...

Obrigado pela visita e pelo seu comentário no meu blog!
Desculpe a demora na resposta.
Um abraço,
João

O PENSADOR disse...

Valeu João, um abraço...

Servulo Batista disse...

olha, gostei em parte do comentário, mas falar que erotizar é acariciar e outros termos é forçar demais o "espírito crítico de pensador".
lembre-se que Jesus colocou crinçã no colo (um homem hoje colocar uma criança no colo é complicado), também permitiu que João encostasse a cabeça no seu peito e sem falar em Maria,(que basta o irmão tirar suas conclusões do ato de Jesus com essa mulher). um abraço, pensador.

O PENSADOR disse...

Ok, concordo com você que a palavra acariciar em si mesma não tem nada de erótica...
Mas não me refiro a atitude de Jesus com relação as pessoas citadas e as situações levantadas pelo irmão...
Digo que hoje estamos tentando transformar tudo o que foi escrito numa maneira as vezes mais visual, as vezes mais dramática, as vezes indo além do que o texto expressa...
Já ouvi letras extremamente sensuais em que a palavra foi usada, mas abstenho-me de mencioná-la para não criar nenhum constrangimento com relação a ministério 'A' ou 'B', doutrina, linha de pensamento, entre outras vertentes...
Somente procuro levantar nossa linha de conduta atual com relação ao evangelho... aliás levanto aquela que é contra a palavra... para quem sabe, corrigirmos nossas tendências e retornar ao evangelho puro e simples, retirando toda a necessidade de sensacionalismo que vem sido posto sobre ele...

Obrigado pelo comentário...

Manoel Reis disse...

Parabéns!
O Todo Poderoso merece ser cultuado e reverenciado. E isto feito por meio da razão e das emoções saudáveis, regados à sabedoria do alto e à profunda gratidão por tudo o que Ele é e tem feito por nós.

Abraço,
Manoel reis

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