terça-feira, abril 7

Meu ministério

Se há uma coisa que não aprendemos ainda, é que no corpo de Cristo não há espaço para emprego de expressões de caráter possessivo, como por exemplo, este é meu ministério.
Se fôssemos, um pouquinho, mais cristãos entenderíamos que o ministério nunca foi nosso. Em primeira instância, o ministério é de Cristo e nos foi delegado por Ele, “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, com finalidade única de salvar a alma daqueles que jaziam “em trevas e que viviam na região e sombra da morte”.
De certo modo, todo ministério pertence à Igreja e não aos seus membros. É claro que, dentro da igreja, algumas pessoas tornam-se responsáveis em coordenar determinados ministérios, isto é fato, mas fazer deste seu passatempo pessoal é desviar-se, completamente, do propósito da existência daquele ministério.
A interdependência ministerial é tão importante quanto necessária. Apesar de termos “líderes ministeriais” para as mais diversas finalidades, nenhum homem é uma ilha, não há andorinha sozinha que faça verão e, excluindo-se o próprio Cristo, nenhum homem na face da terra é auto-suficiente. Somos seres dependentes inseridos num ambiente interdependente, justamente, para que ninguém pense de si mais do que convém, mas saiba que das coisas que concretizou, bem poucas, poderiam ser atribuídas a sua própria capacidade, antes, todos deveriam reconhecer que todo êxito é fruto daquele que nos capacitou.
O ministério eclesial é a reunião de todos aqueles que partilham do mesmo foco, do mesmo Espírito, sobretudo, ansiando os mesmos objetivos, apresentar todo homem perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.
Nenhum ministério é uma ilha! Nenhum líder ministerial é uma ilha. Nenhum ministério pode, por tempo prolongado, sustentar uma igreja caminhando solitariamente. A cada dia torna-se mais necessário afirmar nossa total, completa e irrestrita dependência do Espírito Santo, bem como, afirmar que dependemos da Igreja como um todo para manutenção dos próprios ministérios da Igreja.
Uma relação completa de dependência desconhecida pelos homens que fazer de determinado ministério o único motivo de sua existência, que colocam o ministério pessoal acima dos objetivos da causa cristã.

Todo ministério da Igreja pode ser proveitoso, mas isso não quer dizer que ele tenha a obrigação de sê-lo. Isso dependerá, em grande parte, daqueles que estão, supostamente, a frente destes ministérios.

Para início de conversa, é importante que tenhamos a intenção correta e venhamos a identificar em nós mesmos aquilo que não devemos ter.
Existe alguma coisa de errado quando:
  • O “líder” de determinado ministério se sobressai mais do que o próprio ministério;
  • O "líder" acaba por exaltar mais a si do que àquele que o arregimentou para estar naquela posição;
  • O ministério me tornar improdutivo para a obra cristã;
  • O ministério tornar-se mais importante do que prosseguir em conhecer a Cristo rumo à perfeição cristã;
  • O ministério deixar de produzir em mim as qualidades do cidadão do Reino de Deus;
  • O ministério me impossibilitar de conhecer e prosseguir em conhecer a revelação de Cristo, como meu Senhor e Salvador;
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3 comentários:

Levi Bronzeado disse...

Prezado Ricardo Dondoni

Acabei de ler o seu texto, que me lembrou o Rabino Mantin Buber. Ele assim escreveu, sobre o querer possessivo do homem para com Deus, no seu grande livro: "Eu e Tu":

“o homem aspira por uma continuidade da posse de Deus no espaço e no tempo[...]. Deus se tornou um objeto de fé”.

"Eu duvido desse Deus" - é o ensaio que postei recentemente, o qual, em outra linguagem, trata da mesma possessividade de que o seu texto discerne.

Abçs fraternais,
Levi B. santos

O PENSADOR disse...

Obrigado pela indicação Levi, estarei buscando a referida postagem em seu blog para lê-la...

Paulo Adriano Rocha disse...

Paz, Mr. Rodin.

Rapaz, eu sempre fico pensando nisso quando vejo as pessoas falando "minha igreja", "meu ministério", parece só aquilo importa, parece que é mais importante do que o próprio dono da obra... Aí fica uma coisa completamente isolada, ou seja, fora do contexto de união que Cristo deixou para a Igreja. É uma pena, mas é verdade...

Abraços!

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