quarta-feira, novembro 25

Judas 01-02



A Epístola de Judas é a penúltima carta inserida nas escrituras, sendo escrita por volta de 67 d.C. só perdendo para as cartas joaninas (1ª, 2ª e 3ª João, e Apocalipse) que foram escritas por volta de 95 d.C, portanto, a epístola faz parte do acervo das últimas coisas registradas nas escrituras, antes da pronunciação de João revelando o que haveria de vir, principalmente, após o período das Igrejas.
Seu posicionamento, tanto histórico relacionado ao tempo em que foi escrito quanto seqüencial relacionado à ordem bíblica em que a epístola foi inserida no Cânon do novo testamento, evidenciam a importância e relevância da mensagem de Judas irmão de Tiago.
Acerca de tudo o quanto Judas escreveu, 40% da totalidade dos versículos são de cunho profético, somando um total de 10 versículos dos 25 escritos por ele.
No sentido moral, a Epístola de Judas é o último chamado do Senhor ao retorno à sanidade cristã para uma Igreja que, aos poucos, esquece seu próprio chamado. Seus vinte e cinco versículos constituem o último alerta ante a apostasia vindoura, a iminência do arrebatamento e o retorno de Cristo.
Sendo um dos últimos escritores bíblicos, Judas alinha suas palavras às anteriores ditas pelos apóstolos, reafirmando o cunho central da mensagem do evangelho.
Apesar de ser possível identificar um forte alinhamento com os escritos de Pedro e Paulo, Judas escreve com suas próprias palavras parafraseando o antigo testamento sem citá-lo diretamente, expondo sua própria visão sobre os fatos que os demais apóstolos já haviam se pronunciado.
Judas inicia sua carta como, costumeiramente, era feito naquela época pelos escritores cristãos, se identificando: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo, a misericórdia, a paz e o amor vos sejam multiplicados”.
Fica claro que o autor da epístola é Judas, irmão de Tiago. A conseqüência óbvia de sua identificação, o desqualifica como aquele que traiu Cristo. Aliás, ao se descrever como irmão de Tiago, faz-se necessário excluir os respectivos contemporâneos do Tiago citado. São eles:
- O apóstolo Tiago – filho de Zebedeu e irmão de João (Lc 5.10; 6.14) que bem cedo foi executado por Herodes (At 12.1-2);
- o apóstolo Tiago, filho de Alfeu (Lc 6.15);
- Tiago, pai do apóstolo Judas (Lc 6.16; At 1.13).
É importante relembrarmos que os únicos Tiago e Judas que são citados nas escrituras como irmãos, também, são citados como irmãos de Jesus de Nazaré: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele.” (Mc 6.3).
Todos os fatos corroboram para que o autor da epístola venha a ser identificado como irmão de Tiago, líder da igreja e do concílio de Jerusalém (At 15.13) o que por si só, tornaria desnecessário qualquer outra referência a fim de autenticar o escritor da epístola. Devemos nos lembrar que muito embora aos nossos olhos a identificação possa não parecer precisa, àqueles que viveram naquela época, era a referência mais clara, precisa e fácil de comprovar a autenticidade e veracidade dos escritos em virtude daquele a quem estava sendo nomeado, Tiago, o líder da Igreja e do concílio de Jerusalém e seu referido irmão.
Antes de prosseguirmos para uma análise sobre o livro de Judas, alguns fatos sobre Judas são de importante análise.
Sendo Judas irmão de Jesus, sua carta deixa transparecer sua humilde posição, uma vez que não fez uso do parentesco físico, tomando-o por título. Não fundamentou sua palavra e autoridade em decorrência de mais de 30 anos que viveu ao lado de Jesus, colocando o ensino dos apóstolos em segundo plano. Ao contrário do esperado pelos homens que vivem em nossos dias, sempre que pôde, exaltou os apóstolos, apontando para a autoridade dada a eles por Cristo. Do mesmo modo ao exaltar os apóstolos e não se incluir, Judas demonstra que não é um deles.
Na realidade, a condição de irmão de Jesus o identificava como aquele que durante o ministério terreno de Cristo não creu, “pois nem mesmo os seus irmãos criam nele” (Jo 7.5). O grande pesar de Judas está, justamente, no maior tempo de vivência com Jesus sem reconhecê-lo como o Messias.
As escrituras não se preocupam em aprofundar-se na descrença familiar que Jesus sofreu, mas a Epístola revela em Judas um homem ciente de sua própria humanidade, incapaz de se considerar grande, exaltar e vislumbrar para si títulos e autoridades, aproveitando-se dos laços sanguíneos.
Este homem está resignado e impelido a levar à contento a mensagem de Cristo da forma como foi anunciada, expondo-a em fidelidade ao que lhe foi ensinado, como servo (escravo), fugindo de qualquer referência a ele como irmão de Jesus, fruto de uma consciência renovada pós conversão, que fez-lo identificar não somente a sua natureza carnal, mas também, a natureza divina de Cristo.
A igreja atual é reconhecida por agir de maneira diametralmente contrária a ensinada por Judas, tomando para si todos os status os quais puder. Deus tenha misericórdia de nós, nos conceda o arrependimento e o retorno ao Cristianismo Bíblico.

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Postado por Ricardo Inacio Dondoni

2 comentários:

Francikley Vito disse...

Ricardo, gostei da sua iniciativa de postar pesnamentos seus a respeito das Escrituras. Sei que este é o caminho mais difícil, mas ele é tambem o mais prazeroso. Parabéns.Paz.

O PENSADOR disse...

Vlw Vito, obrigado pelo incentivo. Vou aproveitar um pouco a Carta de Judas para pincelar alguns assuntos...

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