sexta-feira, junho 24

O cerne do evangelho paulino

“Portanto vigiai, lembrando-vos de que por três anos não cessei noite e dia de admoestar com lágrimas a cada um de vós. Agora pois, vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça, àquele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados. De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes. Vós mesmos sabeis que estas mãos proveram as minhas necessidades e as dos que estavam comigo. Em tudo vos dei o exemplo de que assim trabalhando, é necessário socorrer os enfermos, recordando as palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber” (At 20.31-35)
Anos passaram, ..., desde sua juventude, quando estudava as sagradas Escrituras aos pés de Gamaliel. Oriundo de Tarso, descendente de Benjamim, possuidor de cidadania romana por nascimento, nascido em uma família com recursos capazes de permitir-lhe aprofundar-se em altos estudos e conhecer várias línguas e culturas. Paulo era um homem peculiar, capaz de renunciar tudo isso pela sublimidade do conhecimento e da revelação de Cristo Jesus.
Desde seu encontro com Cristo, passaram-se muitos anos e aquele rosto outrora jovial, agora apresentava as ranhuras erodidas pela ação do tempo, concomitantemente com a indelével Marca de Cristo impressa profundamente em seu ser.


No ponto acima descrito, Paulo despedia-se de seus irmãos, pois sabia que não os veria e nesta despedida, Lucas acabou por registrar, o coração pulsante do evangelho cristocêntrico: “O amor por Deus e pelas pessoas”.
Se analisarmos sua mensagem pelos olhos dos irmãos do primeiro século da Igreja Cristã, encontraremos uma mensagem óbvia demais para ser pronunciada, como era o caso da Ceia em todo o seu ritual. Tudo isso remete ao fato de que Paulo cria que o óbvio também tinha que ser dito e se não tivesse sido assim, nós, seus ouvintes tardios nunca conheceríamos a Ceia conforme Paulo a descreveu.
Sua abnegação em ensinar o caminho da verdade, só não era maior do que sua profunda compaixão pelos seus novos irmãos em Cristo. Tamanha era sua preocupação com eles, que até para repreendê-los buscava brandura em suas palavras, fazendo-o por vezes com lágrimas nos olhos, deixando que o amor do Cordeiro por nós, alcançasse àquelas pessoas também.
Paulo sempre buscou ser exemplo em tudo e a todos. Por fim, conclui e despede-se de seus queridos irmãos de forma singular, demonstrando que ao longo de todo tempo de caminhada cristã, nunca cobiçou prata, ouro ou vestes... Não foi pesado a nenhum irmão, antes proveu o seu próprio sustento, trabalhando na medida em que necessitava de vencimentos para prover suas "necessidades", não perdendo tempo extra no acúmulo de bens.
Analisando as palavras de Paulo e os relatos descritos por Lucas, podemos concluir que ele buscava suprir suas necessidades básicas, enquanto esmeráva-se em bem cumprir sua missão! A mensagem paulina reverberizava que não havia tempo para acumular riquezas sobre a terra. Buscar uma vida luxuosa, certamente, o desqualificaria perante seus ouvintes.
Seguindo essa linha de raciocínio, de todos os homens que sucederam Paulo no ministério da pregação, não houve homem mais singular do que John Wesley. Os registros históricos contam que ao longo dos anos, a arrecadação que Wesley recebia aumentava significativamente. No entanto, Wesley mantinha seus gastos dentro de um orçamento anual previamente esquematizado. Quaisquer lucros extras recebidos eram aplicados em prol da anunciação do evangelho de diferentes formas sem, no entanto, usufruir de quaisquer benefícios a mais pelo aumento de seu salário. Quanto mais recebia, mais Wesley doava...
Nossa sociedade olha para Paulo e Wesley com olhos de perplexidade e desconfiança, por julgar quase impossível manter o exemplo destes dois homens como meta à sociedade atual. No entanto, não fomos convidados para sermos mais um na massa amorfa sem opinião, expressão e objetivos. Fomos convocados a sermos exemplos no caráter, na integridade e no compromisso, atraindo, pelo exemplo, a atenção daqueles que olham em nossa direção, assim como o sol faz àqueles que estão morrendo de frio no meio da noite, ansiando por um ínfimo raio de calor brilhando no horizonte. Fomos chamados a atrair e arrastar correnteza acima tantos quantos nos forem possíveis arrastar. Lutar contra a correnteza sozinho já não é fácil, quanto mais tendo que resgatar vidas enquanto lutamos contra a correnteza.
De fato, ao deixar aquela comunidade, Paulo deixa sua marca cristã, reverberizando a brevidade de nossa missão e a grandeza dos campos a percorrer! E nós, ao sermos questionados sobre nossa vida cristã, estaríamos a altura de responder nas mesmas palavras caulinas?
Este texto está licenciado sob uma Licença Creative Commons.
Postado por Ricardo Inacio Dondoni


3 comentários:

Pastor Rodrigo Almeida disse...

A Paz! Sou seguidor do seu blog a muito tempo e você também seguia o meu blog, só que com o bug no blogger eu o perdi, tive que começar outro blog e queria convidar a você para ser seguidor do meu novo blog Sala de Cinema Gospel

É uma maneira cristã de ver o cinema.

Um abraço Rodrigo Almeida.

Dc. Carlos Torres disse...

Pensando para uma visita.
Paulo um Cristão Incomparável!!!!
"Sejam imitadores de mim como eu sou de CRISTO"
Demais isso!!!!!!!!!!

Paz! Amado irmão.

http://planosdivinos.blogspot.com

OUÇA A PALAVRA DO SENHOR disse...

Uma e a mesma é a nossa mensagem de Gratidão a Deus pelo ano que está indo e pelo outro que está chegando. A todos os homens e mulheres de coração voltado para o Senhor, o nosso grande abraço, e desejos de muita paz e vitórias no nome do Filho Amado de Deus, Jesus Cristo de Nazaré, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores.
www.oucaapalavradosenhor.com

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